O Natal está mesmo à porta e o tempo veio dar uma ajuda a essa necessidade de conforto extra, de recolhimento, de partilhar momentos tranquilos com aqueles de quem gostamos, mas raras vezes o Natal acontece assim, dessa maneira idílica, raras vezes vestimos as nossas melhores roupas (vermelhas de preferência) e nos sentamos à mesa para uma ceia elegante; raras vezes temos como único ruído de fundo um CD com músicas da época; raras vezes o nosso Natal pode ser comparável aos que fazem capas de revista onde a harmonia impera... o meu Natal não é assim definitivamente...
Somos oito (este ano já só somos oito), com idades entre os quatro e os 83 anos e somos muito pouco harmoniosos: gritamos, vestimos roupas quentes e com pouco glamour, vemos os noticiários e no chão da sala tem sempre vestígios da lenha que alimenta a grande lareira.
Como boa nortenha que sou no meu Natal há o bacalhau cozido com todos. Antes temos todo o proforma de fazer o molho no prato com azeite, alho e pimenta. Na ceia do dia 24, o aroma que se instala é o de couves cozidas e no dia 25 o de cabrito assado. Assim que acabamos uma refeição enchemos a mesa de doces, desde rabanadas, bolo-rei, mexidas, aletria, filhozes e tantos outros que tornar-se-ia difícil de enumerar todos eles. Dormitamos no sofá embalados pelos programas que passam na televisão, jogamos cartas, dominó e mais recentemente até computador. Podemos estar cheios de sono mas esperamos sempre pela meia-noite para distribuir os presentes... Enfim, reina a confusão!...
De facto, vivemos esta época com alguma intensidade, quanto mais não seja por todo o trabalho acrescido que surge nesta altura. Mas gostamos das cores, das luzes, das músicas, das prendas… É uma quadra fantástica! Quando chega a noite da consoada, todos gostamos de ficar perto daqueles que mais amamos. Jantar juntos, desfrutar da companhia uns dos outros, trocar presente. Infelizmente, o quadro não é sempre assim tão perfeito. Ou porque está alguém doente em casa ou no hospital ou porque já sabemos que alguém vai beber “uns copos” a mais e estragar a noite… porque a vida está complicada e nem há dinheiro para uma refeição decente, ou simplesmente porque se ficou sozinho e não há ninguém com quem possamos estar.Por estas razões, e mais algumas, há tanta gente que dispensa bem esta “data especial”!
Nunca passei por nada idêntico e espero nunca passar, pois assim sim, de certeza que terei a opinião da maioria dos meus amigos: não gostar de natal. Alguns dizem mesmo que se pudessem hibernavam, e só despertavam aí a 5 de Janeiro. E sei que isto é sincero. Até lá continuo a desfrutar desta época que tão bem me faz.
Feliz Natal!
Feliz Natal!
Carolina Paiva, Barcelos
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